Crônicas desacumular

post por Letícia Novaes

Crônicas desacumular

Crônicas, Letícia Novaes

Existir é complexo, como vocês já devem ter percebido até então: potes de lágrimas, potes de sorvetes, potes de gargalhadas, potes de remédios, infinitos potes para as nossas infinitas tralhas. Quando o ano vira, sempre tento dar uma geral nas minhas coisas, e para meu grande espanto, consigo eliminar 5 sacolas de lixo. Como pode? Como eu estava convivendo com cinco sacolas de lixo dentro do meu quarto? Mistérios, mistérios.

Conheço alguns homens acumuladores, mas na minha estatística de vida, as mulheres ganham nesse quesito. Algo de muito afetivo nos impede de jogar fora aquele bilhetinho da sétima série, ou aquela blusa maravilhosa que foi nossa companheira de guerra, mas que hoje em dia nem passa mais pelas costelas que expandiram. Experimente falar “meu quadril expandiu ou minha barriga expandiu” ao invés de “eu engordei”, é mais divertido e menos preocupante. Recomendo.

Quando eu morava com meus irmãos, percebia que minha vida nunca caberia nos armários deles, e ainda assim, a vida deles cabia. Depois fui casada e novamente a mesma sensação. Se a divisão dos armários fosse justa, eu estaria lascada. Tenho Vênus em Aquário e na casa 6, a casa da rotina, do dia a dia. Então, apesar de toda minha terra-terra-terra, tenho um pezinho no frescor, no futuro, na invenção, na modernidade. Acumulo. Ainda me emociono vendo meus exercícios do maternal (!), mas também adoro doar roupas e adquirir coisas novas, peças únicas, roupas esquisitas até, peças que só usei uma vez e nem sei quando vou usar de novo, mas nunca se sabe.

Gosto de chegar em casa e ter pratos coloridos me esperando para um sanduíche elaborado que vou inventar. Parece besteira, mas gosto, faz carinho. Faço em mim mesma através de miniaturas que coleciono. Não servem pra nada, é verdade. Mas a existência delas embeleza minha vida, e tendo Vênus na casa 6, preciso de beleza na minha rotina. Mas como a vida é dual, obviamente também sou bem fascinada pela feiúra. Qualquer programa de televisão trash ou uma notícia na internet bizarra, sou captada em segundos. E fico ali, fascinada, enojada, intrigada no horror.

Estou pra me mudar em breve, de novo. Não sei como será o armário da minha nova casa. Comportará todos os meus vestidos lindos e estranhos? Meus caderninhos de poesias e ideias e considerações? Não sei. Prevejo mais 5 sacolas de lixo pipocando para minha surpresa. Acumulo, mas me renovo sempre.

Pra fechar, lembrei de um reality show que faz bastante sucesso: o da caça ao vestido de noiva. Esqueci o nome, você sabe. O que mais me intriga nesse programa é que a noiva sempre chama a mãe, duas amigas, às vezes a sogra, a avó, e raríssimas vezes o próprio noivo vai. Daí a noiva ama um vestido, e quando ela sai pra mostrar, a amiga critica, a mãe diz que não se emocionou, aí a noiva meio que chora, afinal ela tinha gostando tanto desse vestido, mas mesmo assim, ela troca.

Até todas ficarem felizes (não sei como isso é possível). Eu, com minha Vênus em Aquário, não consigo imaginar ir comprar meu vestido de noiva acompanhada da minha mãe ou de uma melhor amiga. Não existe, gente. O que existe é você e a sua onda, e o seu barato.

Pois então: aproveita que o Carnaval acabou e o ano começou de vez, dá uma geral no seu guarda roupa. O que for de afeto fica, mesmo que você não vá mais usar, é difícil se livrar, eu sei. Mas o que não for, faz a roda girar e passa adiante.

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